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segunda-feira, 17 de maio de 2010

Höstsonaten

Estava um dia no café com um amigo quando ouço, ao lado, uma conversa entre duas mulheres jovens, bonitas mas não o suficiente para me atraírem (o que é por si já difícil). Conversavam sobre qual seria o melhor de Bergman; uma defendia ser Smultronstället, a outra Höstsonaten. Por mais que goste dos Morangos, Bergman, que acho que é o melhor dos melhores, saiu-se melhor com este. Eu não interpelei na conversa, fiquei contente por se falar do Mestre (porque só se fala de vómitos hoje em dia). Enfim! A sua filosofia, a sua forma tão sábia e tão honesta de filmar e mostrar as imagens e os sons, o sentimento e o sonho, tornam-no, simplesmente, o maior de todos. Neste Höstsonaten, dois Bergmans casam-se no mais belo Outono: enquanto Ingrid nos oferece o mais sincero papel da sua carreira, Ingmar aproveita para construir mais uma tour de force, entrando como é já habitual nos confins da psicologia humana e da sua essência. É um filme delicado, poderoso até à última instância, dos melhores que alguma vez já se fizeram.

domingo, 16 de maio de 2010

Fight Club

Dois motivos por que gosto de Fight Club: tem o Brad Pitt na sua melhor forma (uma beleza e atractividade áureas) e tem o David Fincher na sua melhor forma (depois só piora, mais ainda com a bodega dO Estranho Caso de Forrest Gump). De facto, e apesar desta ser uma adaptação literária, considero-o uma obra-prima. Muito simplesmente porque retrata a sociedade capitalista e vazia em que vivemos como ninguém, e uma ânsia de nos superarmos a nós mesmos pelo recurso ao terror e à violência espectaculares. Veja-se, por exemplo, a última cena, duas personagens frente à espectacularidade do ruir do mundo, que o podre do ser humano anseia desde os primórdios da sua existência. Ou não haveria merdas como 2012, Dia da Independência ou O Dia depois de Amanhã por aí. Apesar de sensacionalista, a câmara de Fincher sabe bem como construir uma parábola dos tempos modernos como o vazio que somos. Equiparamos perfeitamente este filme, comercial e norte-americano, com a filosofia catastrófica de Nietzsche (tinha que vir...) e a busca pela identidade que vemos em Persona, de Ingmar Bergman. Aliás, este Fight Club é claramente um Persona 2. Não deixa, contudo, de ter o seu mérito e de ser um bom filme.